maio 16, 2022

Rock Blues Brasil

Aqui você fica sabendo de tudo que acontece no cenário independente mundial!

Contra Music Festival: O Rock Blues Brasil entrevistou Artur Vellucci

Acontece no próximo sábado, 19 de março, a segunda edição do Contra Music Festival, festival que trará bandas da cena independente brasileira para a cidade de Ribeirão Preto. Organizada por Artur Vellucci e Luís Fregonezi, integrantes do duo Counterstep for Glory, o festival levará para o palco do Hashtag Bar nomes como Violência Moral, Distúrbio Mental, Floresthá, Victor Canella, Counterstep For Glory e Black Pantera. O Rock Blues Brasil conversou com o Artur Vellucci sobre o festival:

RBB: Nos últimos anos a cidade de Ribeirão Preto vem abrindo as suas portas para a cena do rock independente. Vários festivais vêm acontecendo como o Festival Pé na Porta, Concurso de Banda Autorias Rock Blues Brasil, Difusora Music Fest e o Contra Music Festival, além de acontecer na cidade o João Rock e o Bacon Day. Ribeirão Preto é a nova capital do rock brasileiro?

AV: Pelo fato de a cidade estar bem-posicionada geograficamente no interior paulista e ter uma cena em constante crescimento, creio que abrigar festivais e eventos de pequeno, médio e grande portes sejam uma vocação cada vez mais evidente para Ribeirão Preto, não só para o Rock n Roll, mas para eventos de todos os estilos. O que ocorre agora em 2022 com o Rock especificamente é que muitas bandas podem ter se aproveitado do hiato compulsório causado pela Pandemia para desenvolver e produzir novos sons, colocar o repertório em dia e se preparar para a volta aos palcos. Para mim, o que vemos agora é esta sede das bandas e do público por eventos que tragam esses sons à tona. Espero sim que este novo movimento crie de fato uma cena que atraia olhares de fora também para os artistas independentes. Ver nossa cidade como um polo importante de produção de Rock n Roll no Brasil é sem sombra de dúvidas algo que queremos muito, e não só em relação a grandes eventos, como também nos eventos de médio e pequeno porte, pois acabam sendo os celeiros de novas bandas e artistas com potencial enorme.

RBB: Como surgiu a ideia de criar o Contra Music Festival?

AV: O Contra surgiu com o objetivo de dar espaço e trazer para a cidade aqueles artistas que acreditamos ser importantes para o desenvolvimento de uma cena saudável e duradoura. Ao mesmo tempo, buscamos abrir espaço para artistas que, assim como nós, buscam consolidar sua sonoridade e passar sua mensagem de uma maneira original e verdadeira. E por último, mas não menos importante, vem a questão do “currículo”. É muito difícil para uma banda ou artista independente entrar em grandes festivais sem uma história prévia, sem uma experiência prévia. Então este festival serve também para isso: para criarmos a nossa própria história e ajudar outras bandas que também queiram entrar nessa jornada conosco.

RBB: O headline dessa edição será os mineiros do Black Pantera. A banda, que vai tocar no Palco Sunset da próxima edição do Rock in Rio, traz em suas letras duras críticas contra a política e o racismo. Nesse momento caótico que vivemos o rock continua sendo uma “arma” de protesto?

AV: Sem sombra de dúvidas; é justamente na crise que o Rock cresce. Um trecho da nossa música “Banana” diz: ‘Quando vamos perceber, que na arte também há poder’; e o festival é um pouco sobre isso também: sobre o poder transformador da arte e sobre o impacto que uma música pode causar. Este foi inclusive um dos fatores decisivos para convidar a Black Pantera para o nosso festival. Os caras transmitem mensagens poderosas com uma sonoridade única e uma verdade ímpar. A própria capa do disco deles é impactante e emocionante: meus olhos enchem de lágrimas toda vez que vejo as mulheres de mãos dadas, armas nas mãos, a criança sendo carregada nas costas de uma delas, protegida lá atrás e olhando com curiosidade… o olhar inocente dela em contraste com o claro semblante de lutas que elas protagonizaram e ainda protagonizam. A história dessa capa é muito, muito linda e recomendo a todos que conheçam. A mim este trabalho da Black impactou profundamente. Fico em êxtase em saber que os caras estarão aqui no nosso evento, porque não tenho dúvidas de que o álbum será um dos grandes lançamentos do ano; e a luta deles é a nossa luta também, por igualdade, pelo fim da violência contra minorias, do racismo, da LGBTfobia, da misoginia, pela elevação e reconhecimento da força das periferias.

RBB: A Counterstep for Glory vem destacando com suas performances matadoras. A banda participou do último do evento Jukebox da School of Rock de Ribeirão Preto. Como foi a experiência de tocar para essa nova geração do rock?

AV: Muito obrigado! Ficamos felizes em saber que o público tem curtido nossos shows! Quanto ao evento organizado pela School, foi impecável; a gente nunca cansa de parabenizar a iniciativa e a produção do evento. Pra nós foi uma experiência incrível. Talvez o palco mais bem produzido em que nos apresentamos até agora; e quanto ao público, a gente percebe um certo semblante de incógnita ainda, porque as pessoas estão decifrando o que está acontecendo ali em cima do palco, embora a resposta final de quem assiste ao show seja muito positiva! Tem sido um grande aprendizado pra gente esse desafio de mostrar ao público o som que estamos fazendo e fazê-los entender que aquilo tudo vem de mim e do Luizinho. Digo isso porque muitas pessoas já perguntaram se tem algum loop ou gravação rolando por trás, e não tem. É tudo 100% ao vivo mesmo.  Por fim, agradeço muito mesmo a oportunidade de poder falar um pouco sobre o que está acontecendo e compartilhar essas experiências que já fazem parte da nossa história! Muito obrigado Ricardo, Rock Blues Brasil e School of Rock Ribeirão Preto por sempre apoiarem a cena! Esperamos poder contribuir à altura!

Os ingressos estão à venda pelo site da Sympla (clique aqui). O Hashtag Bar fica na Rua São José, 1565 em Ribeirão Preto.  O evento tem início às 15h e conta com apoio da 100% Bateras, School of Rock de Ribeirão Preto e do portal Rock Blues Brasil. Enquanto sábado não chega, curta o clip da música “Fogo nos Racistas” da banda Black Pantera.